O terrorismo do Estado em todo o esplendor
14 de Maio de 2013 por 11 Comentários
Este desprezo por reformados e
funcionários públicos atingiu o auge nos últimos dias, com a encenação
que Pedro Passos Coelho e Paulo Portas fizeram, o primeiro ao anunciar a
3 de Maio uma taxa sobre as pensões e o segundo a afirmar, a 5 de Maio,
que esta era a fronteira que não podia deixar passar. Ninguém acredita
que Portas não tenha tido conhecimento desta medida que o
primeiro-ministro iria anunciar. E portanto é lamentável que tivesse
vindo a lume, já que se for avante, depois do que Portas disse, só pode
significar o fim da coligação, a queda do Governo e eleições
antecipadas. Por isso ninguém acredita igualmente que Passos não
soubesse que o ministro de Estado iria dizer isso ao país. O objetivo
foi outro. Mais uma vez, o que se fez foi lançar o pânico sobre os
reformados, para que aceitem medidas que cortam de novo os seus
rendimentos (rendimentos a que têm direito, porque descontaram para
eles, com base num contrato que estabeleceram com o Estado), mesmo que
não venha a ser esta que será aplicada.
O mesmo acontece na forma como o Governo
está a atuar em relação aos funcionários públicos. Sob a capa de
rescisões por mútuo acordo, a proposta do Governo permite aos dirigentes
pressionarem os trabalhadores a optar por esse caminho, sob pena de
serem colocados na mobilidade especial. Nessa situação receberão dois
terços de remuneração nos primeiros seis meses, 50% nos seis meses
seguintes e nos últimos seis meses apenas 33,4%. No final dos 18 meses,
se não for recolocado na administração pública, passa a uma licença sem
vencimento ou pode cessar o contrato de trabalho, com direito a
rescisão, mas menor do que se o fizer por mútuo acordo. A cereja em cima
do bolo é que os funcionários que cessem o seu contrato com a
administração pública não terão direito a subsídio de desemprego. Se
isto não é apontar uma pistola à cabeça de uma pessoa e pedir-lhe para
sair do Estado, então não sei o que é.
Ou melhor, sei muito bem. A isto
chama-se terrorismo do Estado e está a ser praticado impiedosamente por
este Governo conta reformados e trabalhadores da função pública, mas
também contra os contribuintes e os cidadãos em geral. O objetivo é
claro: reduzir o Estado a uma função meramente assistencialista e
Portugal a um país com salários do Terceiro Mundo, sem nenhuns centros
de decisão em mãos nacionais e que agradecerá humildemente às grandes
multinacionais que se instalem cá para aproveitar os baixos custos da
mão de obra nacional. O Governo declarou guerra sem tréguas aos
portugueses. Há-de chegar a altura de os portugueses o varrerem para o caixote de lixo da História.
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