sábado, 12 de novembro de 2011

O "SENHORIO"

AMEN


Por Kira

Barreiro



Pois diz-me a locutora, que o Tribunal foi ter com a velhinha dar-lhe ordem de despejo do anexo, por falta de pagamento de rendas. A velhinha abriu muito os olhos e sorriu. Ela não ouve e como o senhor do Tribunal tem bom aspecto, terá percebido tudo menos o que ele lhe dizia: - tem que deixar a casa. Ela sorria.



Estou severamente nas lonas. A minha profissão liberal, que dura há 50 anos, têm-me proporcionado uma vida pobre de caixa baixa. Agora a coisa está a piorar porque o material que produzo não sai. Isto acontece a muita gente, neste país à beira mar sepultado, cristão e solidário. Tenho provas disso.

É só um desabafo, creiam-me. Um desabafo que me obriga a contar a história que mesmo agora ouvi na televisão. Eu conto.

Uma velhinha, que vive num anexo de uma casa, está acamada, pela doença. Tem entre as trémulas mãozinhas um terço que, conta a conta, a ajuda a passar os dias e as noites em preces a Nossa Senhora de Fátima, que ela, a velhinha, tão bem conhece. São vizinhas!

Pois diz-me a locutora, que o Tribunal foi ter com a velhinha dar-lhe ordem de despejo do anexo, por falta de pagamento de rendas. A velhinha abriu muito os olhos e sorriu. Ela não ouve e como o senhor do Tribunal tem bom aspecto, terá percebido tudo menos o que ele lhe dizia: - tem que deixar a casa. Ela sorria.

Foi quando o senhor guarda que acompanhava o senhor do Tribunal, por gestos e voz alta, lhe explicou ao que vinham. Até disse, o senhor guarda, que tinha muita pena mas, eram ordens do Tribunal e que o senhorio tinha ganho a acção, baseada na falta de pagamento das rendas atrazadas. É a lei minha querida senhora. E a lei é para se cumprir, todos sabemos isto.

Falta dar-vos o nome do Senhorio que intentou a acção, proprietário do anexo: Santuário de Nossa Senhora de Fátima.



Amen!



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