quarta-feira, 1 de maio de 2013

A JOANA DAS PANELAS...

O professor que levou Joana a ser artista

por Pedro sousa tavares29 abril 2013
Joana Vasconcelos, artista plástica
Joana Vasconcelos, artista plásticaFotografia © Gerardo Santos - Global Imagens
A propósito da iniciativa Professor do Ano, o DN convida todas as semanas uma personalidade a recordar os seus tempos de escola. Hoje, a artista plástica Joana Vasconcelos lembra o professor de Desenho que lhe descobriu o talento e a encaminhou para a Escola Artística António Arroio. E também a negativa que teve a Desenho Técnico no IADE...
Quais são as suas recordações mais antigas dos tempos de escola?
Fiz a pré-primária em França, mas não me lembro de nada. Quando cheguei a Portugal fui para o Liceu Francês, onde aprendi a funcionar em Português. Havia uma professora de Português muito severa com uma voz extraordinária que dizia sempre: "Vocês não sabem o que é estar no mundo." Esqueci-me do nome, mas dela lembro-me muito bem. Aliás, quando fui a um aniversário do Liceu Francês toda a gente falava dela.
Foi uma professora marcante?
Era a "stora" má. Ela era uma mulher dura, à moda antiga. Foi a única professora que apanhei à moda antiga. Lembro-me dessa frase me ter ficado marcada: parecia que o mundo era uma outra coisa que não a escola.
Despertou-lhe a curiosidade pelo mundo?
Exatamente isso. Pensava que o mundo havia de ser alguma coisa de especial. É verdade que a escola é uma capa e percebe-se isso ao longo da vida.
E quando surgiu a inclinação para as artes? Saiu do Liceu Francês diretamente para a Escola Artística António Arroio?
Não. Saí do Liceu Francês e entrei numa escola em Miraflores, depois estive em Linda-a -Velha e na Secundária Marquês de Pombal. Nesta escola tive um professor que foi muito importante, o Isolino Vaz, de Desenho. Era um homem ligado à numistática e desenhava moedas, selos, notas.Desenhava muito bem.E foi a pessoa, talvez, que me incentivou a seguir a carreira de artista. Foi ele que me disse: "Valia a pena você ir para a António Arroio." E ajudou-me a ir. Eu não tinhanota para concorrer à António Arroio - teria uma média de 14 e era preciso 15 - e ele convenceu a professora de Trabalhos Manuais a subir--me a média. Foi assim que entrei na António Arroio, no 10.º ano. Ele era um artista. Tinha a noção da carreira artística. Se não tivesse ido para aquela escola muita coisa poderia ter sido diferente.
Entrar na Escola António Arroio foi um momento determinante?
Acho que nunca teria concluído o liceu se não fosse a António Arroio. Eu era a típica aluna de não estudar, era certinha, mas não estudava. Na António Arroio senti-me em casa. Foi a primeira vez que me senti integrada no mundo. Lembro-me da professora de Filosofia, da professora Fátima, de Desporto - fazia parte da equipa de voleibol da escola -, do professor de Geometria, de uma professora de Matemática também muitosevera...
E professores que lhe tenham trabalhado a componente artística?
A componente artística já foi no Ar.co. Antes de acabar o liceu pensava seguir Arquitetura, mas chumbei a Matemática no 12.º ano, foi a única negativa que tive. Decidi trocar de área e fiz um segundo 12.º ano em que tinha História da Arte e Geometria. Como tinha tempo, inscrevi-me também no Ar.co.
Entretanto esteve também no IADE, mas não correu bem, não é verdade?
Ao fim de um ano concorri ao IADE e entrei, mas não foi muito positivo. Custou-me muito ter duas negativas, a História das Ideias e a Desenho Técnico. O IADE tinha um programa de Design muito focado num objetivo, numa tarefa. Eu, como já andava no Ar.co, não estava habituada a regras tão severas. Seguia a minha própria cabeça. Quando saí dessa etapa, regressei ao Ar.co e assumi uma forma de estar na vida. Já estava a assumir uma carreira artística. Ali, tive professores como o Miguel Branco, que me orientou e me deu as primeiras bases para me autoestruturar enquanto artista.

Sem comentários: